Vila Prudente

João Luiz Musa

“Oferecer fotos, de início, resolveu minha primeira aproximação e todos vinham pedir, as crianças, principalmente. Elas vinham, perguntavam se eu ia voltar, achavam que eu ia sumir, mas eu lhes garantia que iria voltar. Mas isso virou um problema; na primeira entrega, já virou um caos, eu não conseguia dar conta dos pedidos, tinha criado um problema para mim mesmo. Era preciso fazer alguma coisa que estivesse mais perto da cultura daquelas pessoas. Então passei a vender o trabalho. Nesse instante, eu não sabia da quantidade de imagens produzidas e consumidas pela população; havia outros fotógrafos profissionais andando pelo bairro. Existia em toda periferia um consumo de fotos pela população de baixa renda. As fotos oferecidas eram coloridas, com flash, bem mal feitas, com uma luz estranha, e ampliadas em formatos diferentes, algumas em formato de pôsteres. Pensei em oferecer uma imagem que tivesse um caráter mais digno. Um branco e preto copiado em papel fibra, mas que fosse uma bela cópia em papel ektalure, com viragem selênio, que lembrasse a imagem que se pode guardar; acreditei que a imagem pudesse mostrar a dignidade daquelas pessoas. Tive dificuldade em convencer o primeiro cliente. O primeiro retrato que vendi é uma dupla de pedreiros, que estão passando na rua; eles me viram com o tripé na mão, me pararam e fizeram perguntas do tipo você é fotógrafo? quanto é?. Na época, devia ser o equivalente a vinte ou trinta reais; achava justo, porém barato, daria para manter os materiais e um pouco mais. Acho que nem expliquei que era em preto e branco. Fiz, anotei o endereço e uma semana depois levei uma cópia esmerada. Gostaram, fiz outra cópia e passei a carregá-la em uma caixa, mostrava aos moradores como era o trabalho. Comecei a receber várias encomendas.”

 

Vila Prudente, de João Luiz Musa

R$145,00

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