Somos Brasil

Marcus Lyon

Artista britânico busca identidade do brasileiro em série de retratos fotográficos, relatos em áudio e DNA

 Marcus Lyon lança dia 9 de março, pela Editora Madalena, o livro Somos Brasil, com exposição interativa no Centro Britânico Brasileiro. São mais de 100 pessoas fotografadas por ele em mais de 25 cidades

“Somos brasileiros”, é o que respondem os filhos do artista britânico Marcus Lyon quando lhes perguntado de onde eles são. “Apesar de terem nascido na Inglaterra, com pai inglês e mãe brasileira, a resposta é quase uma escolha afetiva pelo Brasil”, diz Cannabrava. Foi a partir daí, que Lyon seguiu em busca de um grupo plural de pessoas que mais ou menos representassem o país na sua diversidade. O resultado é o livro Somos Brasil, que será lançado pela Editora Madalena, dia 9 de março, no Centro Britânico Brasileiro, em São Paulo.

 Seis meses depois, tendo percorrido 22 mil quilometros, 104 pessoas foram retratadas no livro e exposição que fica em cartaz até dia 23 de abril. “O mais interessante dessa pesquisa é que além de fazer fotografia e entrevistas, que poderão ser ouvidas nas vozes dos personagens, Marcus mapeou o DNA dos convidados, que no livro é apresentado através do belo design de Jim Sutherland. Esse cruzamento de ciência e arte sempre nos traz bons resultados, ainda mais com a delicadeza e elegância do britânico. O livro é grandioso não só em suas dimensões, mas na energia e na sua honestissima e límpida pesquisa”, completa Cannabrava.

Entre os fotografados estão jovens, adultos, idosos, das mais variadas profissões: pescador, político, como Eduardo Suplicy, e princesa, como Paola de Orleans e Bragança; selecionados pelos chamados nominadores, pessoas que, em formado de rede, foram agregadas ao projeto uma a uma, fazendo com que essa visão plural do Brasil tivesse um resultado bem abrangente. “Este processo nos permitiu acesso a indivíduos de todos os estratos sociais e, apesar deste esforço, senti que de alguma forma estávamos deixando de lado as ‘pessoas invisíveis’ que jamais seriam encontradas através de nominação. Fizemos com que isto se tornasse realidade ao pedir que o nominado indicasse outros nominados durante as próprias sessões de fotografia, e então encontramos um grupo de jóias escondidas”, diz Lyon.

Para contar a história de cada um deles, foram adicionadas análises genéticas de ancestralidade – para cada retrato, uma página do livro se abre para identificar as origens baseadas em marcadores informativos de ancestralidade obtidos de várias populações nativas testadas pela Family Tree DNA ou por pesquisadores da área de antropologia molecular – e áudios que o autor chama de “estrutura emocional” de todo o projeto. “Parecia poderoso e transgressor dar um papel aos sujeitos ao incorporar a palavra falada nos formatos de exposição. Eu acreditava que isto auxiliaria a construção de um certo nível de intimidade na exposição e no livro que permitiria uma conexão mais profunda entre a audiência e os sujeitos. Diferentemente da interface habitual entre retrato e observador, o retratado teria validação nesta relação”, explica ele. Para ouvir as histórias, uma a uma, basta apontar o celular para o retrato de cada página, que o aplicativo dá sequência ao áudio, em português em inglês, de cada voz contando sua história.

Sobre a escolha pelos retratos com fundo branco, ele explica: “Fotograficamente, o projeto consistia em criar retratos simples, focando na pessoa, destacados de seu entorno. Muitos argumentavam que viajar para as áreas mais remotas de um dos países mais bonitos do mundo e negar a realidade das belezas naturais era loucura. Mas meus anos como retratista em estúdio haviam me ensinado a força do pano branco ao fundo e a pureza da luz natural refletida”, conta o autor.

R$400.00

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