Camera Obscura

Milton Montenegro

Camera Obscura, de Milton Montenegro

Distante da vulgaridade que se impõe de forma vertiginosa na fotografia brasileira, Milton Montenegro representa uma das raras exceções. Não somente agora, mas há tempos este grande artista se exclui da multidão. Montenegro é “artista” muito antes de surgirem as fotos grandes e desfocadas nas galerias, muito antes dos clones e covers se aproveitarem da ausência de vocabulário de cur ators, collectors e dealers.

Este exemplar Camera Obscura não é recente. Foi publicado em 1999. De conteúdo múltiplo, uma retrospectiva do autor que passeia pelas décadas de 70, 80 e 90. Dividido em sete portfolios. Kerteszia, Albus et Niger, Color, Sonoris, Deceptio Visus, Camera Lenta e Nebulae, imagens extraídas de cenários como o Rio de Janeiro, Nova York, Lisboa, Londres, Grécia entre tantos, além do estúdio do fotógrafo.

Da série Sonoris vem, provavelmente, seu trabalho mais conhecido: capas para discos de Gal Costa, Cassia Eller, Zizi Possi, Olivia Byington, Gismonti e João Bosco, assim como em Deceptio Visus, suas imagens manipuladas que surgiram como vanguarda na incipiente manipulação digital brasileira dos anos 80, e se mantêm até hoje com o mesmo frescor.

A homenagem a Kertesz é delicada e Albus et Niger revela a técnica preciosa e precisa de Montenegro, a exemplo das anteriores, e que ele começa a desconstruir em Color e Camera Lenta. O clímax, sabiamente deixado para o final, é Nebulae: plasticidade, conceito, técnica e manipulação exercida com o rigor de quem conhece a fundo o metiê. Neste momento de seca criativa que marca os primeiros anos do século, suas imagens são líquidas e fundamentais.

Juan Esteves, crítico de Fotografia, SP

R$120,00

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